Shakespeare e o Cinema

William Shakespeare morreu no dia 23 de Abril de 1616. Dramaturgo, poeta e ator, o bardo inglês foi um dos maiores autores do mundo e até hoje sua obra influência a arte e a cultura pop, seja no cinema, na literatura e até mesmo nos quadrinhos. Em comemoração ao 400º aniversário do seu falecimento, o HarajukuBr traz algumas recomendações de filmes que foram adaptados ou inspirados por suas maravilhosas peças teatrais!

Você pode ficar surpreso em saber, mas todo ano é lançado pelo menos um filme inspirado por alguma obra shakespeariana. Tendo escrito em torno de 38 peças teatrais (entre tragédias e comédias), o material de sua obra é vasto e o conteúdo é tão humano que pode ser inserido em qualquer parte do mundo e em qualquer época.

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Alguns diretores são obcecados pela obra do bardo e já a adaptaram em diversas oportunidades. Um deles é o diretor italiano Franco Zeffirelli. Sua versão de Romeu e Julieta (de 1968) é considerada por muitos a melhor e a mais fiel adaptação da trágica história de amor, além de visualmente bela e impactante. Tendo escolhido dois atores ainda adolescentes para interpretar os protagonistas, Zeffirelli conseguiu transmitir toda a dimensão do trágico destino dos amantes e seu filme continua emocionando até hoje.
Já Laurence Olivier foi um aclamado ator e diretor inglês cuja carreira sempre esteve ligada às peças de Shakespeare, tanto no cinema quanto no teatro. Para o cinema ele dirigiu e atuou em Henrique V (de 1944), Hamlet (1948), e Ricardo III (1955). Embora tenha recebido o Oscar por sua atuação em ambos e também de melhor filme por Hamlet, é na forte performance do desprezível Ricardo III que Olivier mostra todo o seu talento como ator shakespeariano.
O também britânico Kenneth Branagh é um reconhecido ator/diretor tradicionalmente shakespeariano e um dos maiores propagadores da obra do bardo nos dias atuais. Das várias adaptações  que ele dirigiu e atuou, destaco especialmente Hamlet (de 1996). Deslocando a história para era vitoriana, no início do século 19, o diretor consegue deixar a história mais acessível e dinâmica, além de conceber um visual espetacular e contar com um elenco maravilhoso, com nomes como Kate Winslet, Judi Dench, Robin Willams, Billy Crystal e Gérard Depardieu. Também ressalto sua adaptação para Muito Barulho Por Nada (1993), uma das melhores adaptações das comédias do dramaturgo. Divertida, leve e também com um elenco de peso, é um filme que encanta.
Como cinéfila, é meu dever incluir na lista a adaptação de Macbeth (de 1948) dirigida por Orson Welles, outro ator/diretor muito influenciado pelas peças de Shakespeare. O filme recebeu muitas críticas negativas na época do seu lançamento, especialmente devido a uma violência gráfica chocante para a época, porém foi redescoberto décadas depois. Sombrio, cruel e irreverente, esse filme é um dos que melhor capta o espírito da peça original.

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Algumas adaptações mais recentes também merecem certo destaque, tanto pelo excelente elenco quanto pelo belo visual como o agradável Mercador de Veneza (2004) estrelado por Al Pacino e Jeremy Irons; A Tempestade (2010) com Helen Mirren asssumindo o papel do feiticeiro Prospero e muitos efeitos especiais; e o mais recente, lançado no final do ano passado, Macbeth, com Marion Cotillard e Michael Fassbender muito elogiado no papel principal.

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Particularmente gosto muito de releituras das peças de Shakespeare, quando encaixam suas obras dentro de um período ou lugar diferente das quais elas foram originalmente concebidas. Dentro dessa linha, posso destacar Coriolano (de 2011), dirigido e estrelado por Ralph Fiennes e também com Jessica Chastain e Gerard Butler no elenco, que transporta o lendário general e sua tomada de Roma para os tempos atuais. Outro filme desta lista é a surpreendente e sensível adaptação de Muito Barulho por Nada (de 2012), dirigido por Joss Whedon (sim, o mesmo de Vingadores!), também transportada pros dias atuais embora tenha mantido o inglês arcaico, provando que as complicações e trapalhadas amorosas podem acontecer em qualquer período. Mas o título de mais famosa e estrondosa releitura deve ir para Romeu + Julieta, um verdadeiro marco da cultura pop dirigido por Baz Luhrman, com Leonardo DiCaprio e Claire Danes. Situando os famosos amantes em meio a disputas de conglomerados empresariais em Verona Beach, Luhrman preservou muito dos diálogos e solilóquios originais mas conferiu modernidade com uma edição ágil e frenética, visceralidade e muuuuita música boa.

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Mas essa lista não estaria completa sem citar dois excelentes filmes dirigidos por Akira Kurosawa que transportam Shakespeare para o ambiente do Japão feudeal: Trono Manchado de Sangue, uma releitura de Macbeth, e Ran, releitura de Rei Lear. Ambos são filmes de forte impacto, visual deslumbrante e indiscutíveis clássicos do cinema mundial. Uma incrível fusão entre dois mestres que deve ser conferida não só pelos fãs do bardo inglês, mas por qualquer amante do cinema.

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Existem também os filmes que foram diretamente inspirados nas obras shakespearianas. Não são necessariamente releituras, mas abordam histórias ou trajetórias de personagens semelhantes, inserindo-as em contextos diversos. É o que acontece, por exemplo, no muito divertido 10 Coisas Que Eu Odeio Em Você, com Julia Stiles, Heath Ledger e Joseph Gordon-Levitt, que mantém a mesma trama da comédia A Megera Domada mas dentro de um contexto de colegial americano. A mesma fórmula é usada também em Ela é o Cara, com Amanda Bynes e Channing Tatum, inspirado dessa vez pela ótima peça Noite de Reis. O clássico musical Amor, Sublime Amor também não nega sua inspiração em Romeu e Julieta, ao contar a história de Maria e Tony, dois amantes pertencentes a gangues rivais do lado oeste de Manhattan. E claro, não podemos deixar O Rei Leão de fora dessa lista. Simba, movido pelo desejo de vingar seu pai, assassinado pelo seu tio, e de reconquistar seu reino é o Hamlet do reino animal… mas sem (tanta) tragédia, claro!

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Garotos de Programa, do diretor Gus Van Sant e estrelado por River Phoenix e Keanu Reeves,  tem uma influência mais sutil das peças das peças Henrique IV (Parte 1 e 2) e Henrique V. Um belo road movie LGBT, o filme toma como influência a personalidade príncipe Harry da peça e sua relação com o pai para construir o personagem Scott Favor, interpretado por Phoenix, além de alusões a diálogos escritos pelo bardo. Já o docudrama italiano César Deve Morrer, usa a peça Júlio César de um jeito inusitado. Reunindo um grupo de prisioneiros para encenar a tragédia, o filme traça paralelos entre a vida dos prisioneiros e a de César, entre a antiga Roma e a atual.

 

São muitos os filmes influenciados por Shakespeare, direta ou indiretamente. Infelizmente, não foi possível citar outros tantos por aqui. Mas se você deseja saber mais sobre mais filmes, recomendo o excelente podcast do Cinema em Cena sobre o assunto:

+ Podcast Cinema em Cena – Shakespeare no Cinema

About the author

Camila Camila | Formada em Artes Cênicas, deixou o teatro de lado para tocar uma banda de rock porque achou que isso a tornaria mais legal. Cinéfila e seriófila de carteirinha, assiste tudo que é tipo filme ou série.

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