Decoração: Casa Cor 2016

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A edição de 2016 da Casa Cor São Paulo comemora 30 anos e conta com espaços produzidos por decoradores, designers, arquitetos e paisagistas. O evento acontece no prédio construído pelo arquiteto francês Henri Paul Pierre Sajous, no início do século 20, e que foi restaurado para o evento: o Ambulatório do Jockey. 

Alguns espaços estão mais comportados e clássicos, outros completamente inusitados. Depois do choque (e do encantamento) de passar por ambientes com muita vegetação, dentro de um vagão de trem, revestidos de madeira, com papel de parede até no teto e areia na sala, fiz uma seleção de características que se repetem, e que a gente pode interpretar como tendências.

Verde, muito verde, seja em painéis de vegetação, ou nas tintas das paredes, nos revestimentos em madeira, móveis, sofás, almofadas. Estamos vendo uma profusão de verdes: desde o esmeralda, passando pelo hortelã, o pistache, até o água marinha (pastel).

Além do verdinho, outra candy color que ganhou o coração dos designers foi o rosa bem clarinho, que a Pantone previu para 2016, combinado com brancos, cinzas e artigos em cobre ou dourado. E cortinas compridas, do teto até o chão (que aumentam a sensação de altura do ambiente), com barras bem marcadas, às vezes até com tecido em outra cor.

Muita luminária retrô, em vidro trabalhado e rebuscado. No mobiliário, móveis mais modernos (algumas peças art deco e anos 50/60), e contemporâneos.

Em alguns espaços os revestimentos se repetiam: a madeira do piso também estava no teto, ou do piso subia pelas paredes. Também aparecem algumas improvisações com luminárias remontadas, ou a mesa de centro em blocos de concreto, contrastando com tecidos e outros moveis de acabamento bem clean e moderno.

Para finalizar, dois ambientes estavam deixando alguns visitantes incrédulos. Não pelas decorações (que a propósito, eu gostei!), mas pelas técnicas e tecnologias envolvidas. Num desses espaços, elaborado pelo arquiteto Nildo José, foi plantada (?) uma jaboticabeira flutuante. As raízes da arvore foram embaladas de acordo com uma técnica japonesa chamada kokedama, e tudo ficou suspenso preso por cabos de aço no teto. A planta deve ser borrifada com água nas raízes.

O outro espaço tem um visual bem contemporâneo, mas com os dois pés no futuro. Projetada por Guilherme Torres, essa cozinha tem uma pia que abriga a lava louça, a torneira e a coleta seletiva com processamento de lixo orgânico, tudo embutido e escondido atrás de uma bancada. Tem também uma mesa-bancada em inox com indução de calor que serve como fogão, e uma geladeira com cara de armário, com embalagens individuais que gelam ou congelam na temperatura ideal para cada alimento. Parece ficção científica, mas essas são apostas para a cozinha dentro de dez anos (e essas tecnologias já são bem reais!).

CASA COR SÃO PAULO 2016
até 10 de julho de 2016.

Jockey Club de São Paulo
Av. Lineu de Paula Machado, 775 – Cidade Jardim.

Terça à quinta das 12h às 21h.
Sexta, sábado e feriados das 12h às 21h30.
Domingo das 12h às 20h.

ingressos:
De terça a quinta-feira ingresso inteiro: R$ 52
Sexta, sábado, domingo e feriados ingresso inteiro: R$ 65
estudantes e idosos pagam meia. associados da ABD têm 30% de desconto, crianças até 12 não pagam.
Valet: preço único R$ 30

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Exposição: O Triunfo da Cor

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A exposição “O Triunfo da Cor” em cartaz no CCBB/SP apresenta obras produzidas no finalzinho do século XIX. Artistas como Van Gogh, Gauguin, Toulouse-Lautrec, Cézanne, Seurat, vão extrapolar as possibilidades do uso de cores e pinceladas ágeis do impressionismo. 

O século XIX foi um período de grande agitação. A agilidade das transformações filosóficas e econômicas proporcionou diferentes questionamentos, leituras e, consequentemente, um caldeirão diversificado de inovações artísticas.

O surgimento da máquina fotográfica proporcionou a captura da imagem com “perfeição”, num processo bem mais barato e rápido. Pintar retratos “copiando” a realidade perdeu um pouco a função, e os artistas passaram a trabalhar outros gêneros de pintura, tais como paisagens e naturezas mortas.

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Outra inovação importante da época, foi a descoberta do círculo cromático, isto é, a descoberta de que o artista não precisa mais “fazer um monte de cores”: ele pode justapor as cores de forma a produzir novos efeitos de cor.

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Além disso, veio a patente do tubo retrátil para armazenar a tinta (que diminuiu consideravelmente o desperdício de material) e a expansão ferroviária (a velocidade, a facilidade de chegar a lugares diferentes com um custo pré determinado), que possibilitaram ao artista pegar sua maletinha de materiais e trabalhar externamente, ao ar livre, sem a necessidade de um ambiente fechado com um ateliê.

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Todas essas transformações proporcionaram novas condições para a produção artística: a experiência contemporânea (cenas do dia a dia, com pessoas anônimas) e a natureza passaram a ser representadas com base nas impressões e sensações pessoais do momento, numa profusão de cores luminosas — o que ficou conhecido como Impressionismo.

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A exposição “O Triunfo da Cor” aborda a transição do impressionismo para outras correntes. Apresentando obras no final do século XIX, mostra um momento de transição, que ficou conhecido como pós-impressionismo. Os artistas desse período experimentam novas possibilidades do uso de cores, pinceladas, e formas, em diferentes versões: Cézanne partiu para composições mais densas, compostas por volumes sólidos recortados; Gauguin utilizou cores mais puras e planas em imagens simplificadas; Van Gogh trocou o movimento repicado por pinceladas sinuosas como um redemoinho; George Seurat se concentrou na justaposição de cores. Essas novas expressões originariam correntes como Cubismo, Expressionismo, Primitivismo, Pontilhismo.

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Essa é a última chamada para a exposição, que fica mais uma semana aqui em São Paulo; depois segue para o Rio de Janeiro a partir de 20/julho.

O Triunfo da Cor: O Pós Impressionismo

em SP: de 24 de janeiro a 04 de abril de 2016
Centro Cultural Banco do Brasil São Paulo
Rua Álvares Penteado, 112 – Centro
(11) 3113-3651/3652
ccbbsp@bb.com.br
Funcionamento: de quarta a segunda, das 9h às 21h.

no RJ de 20 de julho a 17 de outubro de 2016
Centro Cultural Banco do Brasil Rio de Janeiro
Rua Primeiro de Março, 66 – Centro
(21) 3808-2020
ccbbrio@bb.com.br
Funcionamento: de quarta a segunda, das 9h às 21h.

Imagens das obras:  Musée d’Orsay | Musée de l’Orangerie

Filmes para o Dia dos Namorados

Junho é aquela época do ano que a gente curte o friozinho, curte ficar juntinho. Conforme o mês vai avançando regado a quentão, vinho quente e festas juninas, observamos uma profusão de coraçõezinhos pipocando nas vitrines e propagandas. Para felicidade dos casais — e talvez tormento de alguns solteiros –, 12 de junho é o dia dos namorados aqui no Brasil. Inspiradas nesse dia, eu, Camila e Cláudia fizemos uma lista de filmes. A proposta é curtir o dia dos namorados, seja no clima love-love ou não! (sério, tem de tudo aqui, dá uma conferida!)


Moonrise Kingdom: Ambientado em uma ilhota isolada durante década de 60, esse filme do Wes Anderson é meigo e carrega uma inocência rara de se ver nos filmes atuais. A história é sobre o primeiro amor entre dois jovens de 12 anos que fogem juntos, se tornando procurados por autoridades e pela família. É uma aventura leve e muito divertida, mas que mesmo assim consegue aprofundar-se na relação entre seus protagonistas e a identificação que existe entre ambos. Como toda obra do Wes Anderson, o filme ainda conta um lindíssimo visual e um elenco estrelar. É o meu filme favorito do diretor por trazer uma carga de nostalgia de uma idade onde os problemas eram mais simples, mas vividos com veracidade e intensidade, e por retratar a simples pureza do amor.

 

Antes do Amanhecer: Esse clássico de 1995 é a simples história de um americano e uma francesa que se conhecem em uma viagem de trem e passeiam pela cidade Viena, aproveitando o pouco tempo que podem passar um com o outro pois na manhã do dia seguinte cada um deve seguir seu destino. O filme fascina por ser principalmente um diálogo entre os dois jovens. Jesse e Celine são pessoas muito reais que, ao final do filme, conhecemos profundamente. O trunfo desse filme foi trazer uma história de amor ao mesmo tempo linda e palpável, sem excessos de açúcar e de gestos românticos insuperáveis. Vale dizer que esse filme faz parte de uma trilogia junto com Antes do Pôr-do-sol (de 2005) e Antes do Anoitecer (de 2015) que dão continuidade ao relacionamento de Jesse e Celine em diferentes momentos das suas vidas.

 

Brilho Eterno de uma Mente Sem Lembranças: Podemos chamar esse filme de obra prima? Acho que podemos sim! O filme conta a história de Joel que, abalado pelo término do seu relacionamento com Clementine, decide apagá-la completamente da sua memória… mas acaba se arrependendo disso no meio do processo. É uma forma inovadora de se analisar um relacionamento e trazer de volta à memória aqueles momentos de cumplicidade e felicidade, muitas vezes apagados por desentendimentos e mágoas.

 

Medianeras: Esse filme argentino também não tem nada de amor idealizado. Na verdade é muito real. Martin e Marina são muito semelhantes: pensam parecidos, são inteligentes e muito solitários e depressivos. São vizinhos um do outro que se cruzam e frequentam o mesmo lugar mas, no meio de uma cidade tão grande quanto Buenos Aires, não chegam a se encontrar. Não se engane com essa premissa triste, pois o filme é deliciosamente divertido e, ainda assim, sensível e reflexivo.

 

Meia Noite em Paris: Gil e Inez estão prestes a se casar. Ele, escritor de sucesso em Hollywood, mas extremamente frustrado, sonha com uma vida em Paris, onde quer morar e escrever um livro de sucesso. Ela, mas prática, sonha com uma vida confortável e luxuosa em Malibu. Eles viajam para Paris e, uma noite, caminhando sozinho pelas ruas da cidade, Gil é transportado para a Paris que ele idolatra: a Paris de 1920, onde pode se encontrar com todos os intelectuais que admira. O filme é permeado de humor, e as situações amorosas flutuam num questionamento de desejos nunca realizados, na nostalgia e na insatisfação com a vida.

 

Cartas Para Julieta: Outro filme que começa com um casal fadado ao fracasso: Sophie e Victor viajam para Verona (onde se passou a história de Romeu e Julieta), em uma lua de mel antecipada. Ele está completamente envolvido em uma busca por fornecedores para seu restaurante. Ela, sentindo-se abandonada, une-se a um grupo de mulheres que responde cartas de amor que as moças deixam para “Julieta”. Sophie encontra uma carta antiga escrita por Claire, e resolve responder. Inesperadamente, Claire vem a Verona com seu neto Charlie, em busca de seu amor do passado, Lorenzo. É uma história bonitinha e açucarada na medida certa.

 

Bonequinha de Luxo: Holly é uma acompanhante de luxo que teve um passado sofrido e sonha em ser uma atriz famosa e casar com um homem rico. Ela se muda para Nova Iorque, e conhece Paul, um escritor, com quem desenvolve uma relação de amizade. Ele não está interessado nos atributos físicos da moça, e a gente já imagina onde isso vai parar. O filme é um clássico e Holly tem um repertório de frases impactantes para refletir sobre relacionamentos.

 

Orgulho e Preconceito: A famosa obra de Jane Austen é adaptada com muita sutileza, fotografia e figurino impecáveis e inspiradores. Com pensamento avançado para sua época, a escritora construiu personagens femininas fortes e de características marcantes dentro de uma estória aparentemente simples. Ambientada na Inglaterra do século XIX, a estória gira em torno de Elizabeth Bennet e sua relação com os costumes, obrigações e moral na sociedade da época. A construção de uma narrativa focada no círculo familiar da personagem e sua relação crítica com a aristocracia inglesa são pontos fortes da trama. O desenvolvimento das irmãs Bennet com seus respectivos interesses românticos também são uma delícia de assistir. Um filme leve e gostosinho para assistir em uma tarde de domingo.

 

Simplesmente Amor: Comédia romântica inglesa com uma pitadinha de drama feita para o Natal, mas muita calma. A estória é divertida e brinca com todos os clichês relacionados ao gênero, por isso aqui a indicação. Com várias estórias paralelas que se relacionam entre si ou não, o filme demonstra diferentes tipos de amor (entre família, amigos, jovens casais, velhos casais, triângulos) de forma leve e extremamente divertida. Para assistir e reassistir a qualquer hora.
Além disso, inclui elenco espetacular: Emma Thompson, Alan Rickman, Bill Nighy, Martin Freeman, Colin Firth, entre muitos outros.

 

Shelter: Faltou aquele típico filme água com açúcar fofinho por aqui, não ? Shelter possui uma trama leve de superação e autoconhecimento, com uma pitadinha de drama. Zach precisa aprender a lidar com os problemas familiares e a responsabilidade de criar seu sobrinho de uma irmã irresponsável, ao mesmo tempo em que lida com novas descobertas em sua vida.

 

Imagine eu e você: Outro filme gostosinho para essa tarde de domingo, a estória retrata com muita sutileza o surgimento de um romance sem grandes clichês românticos em um cotidiano comum e possivelmente real entre um casal recém-casado e uma florista de bairro.

 

O Fabuloso destino de Amélie Poulain: Amélie é uma personagem única. Amor, sutileza, peculiaridade e criatividade são as principais qualidades que a definem, e o mote principal desse filme. Com fotografia, edição e trilha sonora maravilhosos, O Fabuloso destino de Amélie Poulain é um olhar otimista e criativo sobre um mundo aparentemente endurecido e comum.
A atriz consegue transmitir uma série de belas expressões com apenas um olhar e a personagem descobre como mudar o mundo particular de cada pessoa ao redor com pequenos e cotidianos gestos de amor. Para fechar esse post com chave de ouro. ♥

Decoração: Festa Junina

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O mês de junho começou, e trouxe com ele uma das épocas mais legais do ano: camisas xadrez e saias de babadinhos estão permitidas para pular a fogueira e encarar o frio: é época de festa junina! Eu sei que é extremamente tentador organizar uma festinha com tema junino, mas embalada nesse clima de festa colorido, a minha proposta é tentar ir além das bandeirinhas e incorporar o clima de festividade na decoração de casa! 

Não se sabe ao certo de onde vem o nome “junino”, se é uma simples referência ao mês de Junho, ou se tem a ver com o grande homenageado, São João.

Assim como o Natal, várias coisas foram adaptadas de antigas tradições pagãs para o cristianismo. A fogueira, por exemplo, era ateada no dia 24 para celebrar o solstício de verão. Já a bíblia diz que São João Batista nasceu seis  meses antes de Jesus, então 24 de junho também é o dia de São João — e também se acende uma fogueira (!!).

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Trazida pelos portugueses com bandeirinhas, balõezinhos e afins, a celebração logo foi incorporada aos costumes dos povos indígenas e dos afro-brasileiros, principalmente no nordeste. Remodelamos a celebração para incluir forró, canjica, pipoca, curau e pamonha. Também celebramos Santo Antonio (12 de junho) e São Pedro e São Paulo (29 de junho).

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Junho é época de colheita de milho, daí a fartura de comidas preparadas a partir dele. Mas ainda sobra espaço para batata doce, pé de moleque, paçoquinha, cocada, pinhão, e uma infinidade de quitutes acompanhados de quentão ou vinho quente.

E se parar para pensar… Temos uma base de cores bem neutra (tons terrosos, amarelos e beges) salpicados por mil outras cores mais primárias. É possível compor espaços bem reconfortantes — e carregados de um regionalismo muito bonito, regado a chita, cestarias, madeiras e xilogravuras! Vamos nos inspirar?

imagens Arte Popular Brasil | Deca | Derlon | Diário do Nordeste | Gui Mattos | Historias de Casa | Modices | Paty Shibuya | Rosinha

Shakespeare e o Cinema

William Shakespeare morreu no dia 23 de Abril de 1616. Dramaturgo, poeta e ator, o bardo inglês foi um dos maiores autores do mundo e até hoje sua obra influência a arte e a cultura pop, seja no cinema, na literatura e até mesmo nos quadrinhos. Em comemoração ao 400º aniversário do seu falecimento, o HarajukuBr traz algumas recomendações de filmes que foram adaptados ou inspirados por suas maravilhosas peças teatrais!

Você pode ficar surpreso em saber, mas todo ano é lançado pelo menos um filme inspirado por alguma obra shakespeariana. Tendo escrito em torno de 38 peças teatrais (entre tragédias e comédias), o material de sua obra é vasto e o conteúdo é tão humano que pode ser inserido em qualquer parte do mundo e em qualquer época.

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Alguns diretores são obcecados pela obra do bardo e já a adaptaram em diversas oportunidades. Um deles é o diretor italiano Franco Zeffirelli. Sua versão de Romeu e Julieta (de 1968) é considerada por muitos a melhor e a mais fiel adaptação da trágica história de amor, além de visualmente bela e impactante. Tendo escolhido dois atores ainda adolescentes para interpretar os protagonistas, Zeffirelli conseguiu transmitir toda a dimensão do trágico destino dos amantes e seu filme continua emocionando até hoje.
Já Laurence Olivier foi um aclamado ator e diretor inglês cuja carreira sempre esteve ligada às peças de Shakespeare, tanto no cinema quanto no teatro. Para o cinema ele dirigiu e atuou em Henrique V (de 1944), Hamlet (1948), e Ricardo III (1955). Embora tenha recebido o Oscar por sua atuação em ambos e também de melhor filme por Hamlet, é na forte performance do desprezível Ricardo III que Olivier mostra todo o seu talento como ator shakespeariano.
O também britânico Kenneth Branagh é um reconhecido ator/diretor tradicionalmente shakespeariano e um dos maiores propagadores da obra do bardo nos dias atuais. Das várias adaptações  que ele dirigiu e atuou, destaco especialmente Hamlet (de 1996). Deslocando a história para era vitoriana, no início do século 19, o diretor consegue deixar a história mais acessível e dinâmica, além de conceber um visual espetacular e contar com um elenco maravilhoso, com nomes como Kate Winslet, Judi Dench, Robin Willams, Billy Crystal e Gérard Depardieu. Também ressalto sua adaptação para Muito Barulho Por Nada (1993), uma das melhores adaptações das comédias do dramaturgo. Divertida, leve e também com um elenco de peso, é um filme que encanta.
Como cinéfila, é meu dever incluir na lista a adaptação de Macbeth (de 1948) dirigida por Orson Welles, outro ator/diretor muito influenciado pelas peças de Shakespeare. O filme recebeu muitas críticas negativas na época do seu lançamento, especialmente devido a uma violência gráfica chocante para a época, porém foi redescoberto décadas depois. Sombrio, cruel e irreverente, esse filme é um dos que melhor capta o espírito da peça original.

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Algumas adaptações mais recentes também merecem certo destaque, tanto pelo excelente elenco quanto pelo belo visual como o agradável Mercador de Veneza (2004) estrelado por Al Pacino e Jeremy Irons; A Tempestade (2010) com Helen Mirren asssumindo o papel do feiticeiro Prospero e muitos efeitos especiais; e o mais recente, lançado no final do ano passado, Macbeth, com Marion Cotillard e Michael Fassbender muito elogiado no papel principal.

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Particularmente gosto muito de releituras das peças de Shakespeare, quando encaixam suas obras dentro de um período ou lugar diferente das quais elas foram originalmente concebidas. Dentro dessa linha, posso destacar Coriolano (de 2011), dirigido e estrelado por Ralph Fiennes e também com Jessica Chastain e Gerard Butler no elenco, que transporta o lendário general e sua tomada de Roma para os tempos atuais. Outro filme desta lista é a surpreendente e sensível adaptação de Muito Barulho por Nada (de 2012), dirigido por Joss Whedon (sim, o mesmo de Vingadores!), também transportada pros dias atuais embora tenha mantido o inglês arcaico, provando que as complicações e trapalhadas amorosas podem acontecer em qualquer período. Mas o título de mais famosa e estrondosa releitura deve ir para Romeu + Julieta, um verdadeiro marco da cultura pop dirigido por Baz Luhrman, com Leonardo DiCaprio e Claire Danes. Situando os famosos amantes em meio a disputas de conglomerados empresariais em Verona Beach, Luhrman preservou muito dos diálogos e solilóquios originais mas conferiu modernidade com uma edição ágil e frenética, visceralidade e muuuuita música boa.

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Mas essa lista não estaria completa sem citar dois excelentes filmes dirigidos por Akira Kurosawa que transportam Shakespeare para o ambiente do Japão feudeal: Trono Manchado de Sangue, uma releitura de Macbeth, e Ran, releitura de Rei Lear. Ambos são filmes de forte impacto, visual deslumbrante e indiscutíveis clássicos do cinema mundial. Uma incrível fusão entre dois mestres que deve ser conferida não só pelos fãs do bardo inglês, mas por qualquer amante do cinema.

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Existem também os filmes que foram diretamente inspirados nas obras shakespearianas. Não são necessariamente releituras, mas abordam histórias ou trajetórias de personagens semelhantes, inserindo-as em contextos diversos. É o que acontece, por exemplo, no muito divertido 10 Coisas Que Eu Odeio Em Você, com Julia Stiles, Heath Ledger e Joseph Gordon-Levitt, que mantém a mesma trama da comédia A Megera Domada mas dentro de um contexto de colegial americano. A mesma fórmula é usada também em Ela é o Cara, com Amanda Bynes e Channing Tatum, inspirado dessa vez pela ótima peça Noite de Reis. O clássico musical Amor, Sublime Amor também não nega sua inspiração em Romeu e Julieta, ao contar a história de Maria e Tony, dois amantes pertencentes a gangues rivais do lado oeste de Manhattan. E claro, não podemos deixar O Rei Leão de fora dessa lista. Simba, movido pelo desejo de vingar seu pai, assassinado pelo seu tio, e de reconquistar seu reino é o Hamlet do reino animal… mas sem (tanta) tragédia, claro!

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Garotos de Programa, do diretor Gus Van Sant e estrelado por River Phoenix e Keanu Reeves,  tem uma influência mais sutil das peças das peças Henrique IV (Parte 1 e 2) e Henrique V. Um belo road movie LGBT, o filme toma como influência a personalidade príncipe Harry da peça e sua relação com o pai para construir o personagem Scott Favor, interpretado por Phoenix, além de alusões a diálogos escritos pelo bardo. Já o docudrama italiano César Deve Morrer, usa a peça Júlio César de um jeito inusitado. Reunindo um grupo de prisioneiros para encenar a tragédia, o filme traça paralelos entre a vida dos prisioneiros e a de César, entre a antiga Roma e a atual.

 

São muitos os filmes influenciados por Shakespeare, direta ou indiretamente. Infelizmente, não foi possível citar outros tantos por aqui. Mas se você deseja saber mais sobre mais filmes, recomendo o excelente podcast do Cinema em Cena sobre o assunto:

+ Podcast Cinema em Cena – Shakespeare no Cinema

Exposição: Mondrian e o Movimento de Stijl

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O Centro Cultural do Banco do Brasil (CCBB) dificilmente nos decepciona. Aqui em São Paulo, começamos 2016 com um recorte absolutamente moderno, com a exposição Mondrian e o Movimento de Stijl

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Piet Mondrian, artista holandês, começou pintando quadros figurativos e paisagens, como tantos outros artistas de sua época. Mas, seguindo o borbulhão de questionamentos artísticos no inicio do século XX (de uma arte não figurativa, de trabalhar cores e formas sob uma nova perspectiva), foi influenciado por correntes tais como o cubismo, e suas cores naturalistas deram lugar às cores puras, primárias. Mondrian também passou a se guiar por uma linha de pensamento… “mística”, segundo a qual “Os dois extremos absolutos fundamentais que conformam o nosso planeta são: a linha de força horizontal, isto é, a trajectória da Terra ao redor do Sol, e o movimento vertical e profundamente espacial dos raios que tem a sua origem no centro do Sol (…). As três cores principais são o amarelo, o azul e o vermelho. Não existem mais cores do que estas.”

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Outros artistas caminhavam para a simplificação e abstração das formas. Lembram-se de Kandinsky? Ele também assumiu uma concepção “mágica” na arte, e se guiava pelo ritmo da música clássica — já Mondrian curtia jazz, e embarcou numa outra escola, o Movimento “de Stijl“. Esse movimento, que a gente pronuncia “de Stél” (obrigada santo Google! rs) , começou como um movimento estético-social-filosófico, que se desdobrou para o campo das artes plásticas. A ideia era estabelecer uma “nova consciência da época”, que preferia o “universal”, ao invés do individuo. Vários os artistas participaram dessa escola, entre eles Doesburg, Mondrian, e Gerrit Rietvield, e trabalhavam sempre com essa concepção de universalidade, ângulos retos (linhas horizontais e verticais), as cores básicas (branco, preto e cinza) e as três cores primárias (vermelho, azul, amarelo).

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A mostra montada pelo CCBB/SP está absolutamente didática. Começando pelo subsolo, percorremos um caminho quase cronológico de quadros figurativos de Mondrian. Podemos observar os trabalhos de transição até as telas com linhas horizontais e verticais em preto, com alguns quadrados coloridos.

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Há ainda peças de mobiliário, projetos (a Casa Schröder!), documentários e outras expressões artísticas da época. A maior parte das peças veio do Museu de Haia, na Holanda — que é o museu com a maior e mais significativa coleção de obras de Mondrian. É interessante observar que já se passaram 100 anos, e Mondrian, e Rietveld ainda representam o que chamamos de “moderno”.

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E mantendo aquela tendência de atrair pessoas para a exposição, no hall do edifício do CCBB foi instalado um tentador parque de diversão de #selfies: há uma cadeira gigante, baseada na chaise original de Rietveld; uma atividade interativa para “montar” uma tela de Mondrian; e um outro espaço para literalmente entrar num trabalho de Mondrian (esse tem todo um esquema de espelho, lente, espaços pra criar um efeito bem bacana!).

A exposição fica em São Paulo até 4 de abril. Faça a reserva gratuita de horário pelo ingresso rápido pelo aplicativo para o celular, para evitar grandes esperas. Depois da temporada em São Paulo, segue para Brasilia, Belo Horizonte e Rio de Janeiro.

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Mondrian e o Movimento De Stijl
de 24 de janeiro a 04 de abril de 2016

Centro Cultural Banco do Brasil São Paulo
Rua Álvares Penteado, 112 – Centro
CEP: 01012-000 | São Paulo (SP)
(11) 3113-3651/3652
ccbbsp@bb.com.br
Funcionamento: de quarta a segunda, das 9h às 21h.

Links CCBBComunicação, Arte e Cultura | Mondriaan & de Stijl

Cinema e Tv: Reflexões sobre o Oscar e representatividade

Indicados ao Oscar 2016 e a polêmica #OscarSoWhite 2015 e 2016 (Foto: Reuters & G1)

O Oscar pode não ser uma das premiações mais justas que existem, mas com certeza é a que mais influência possui no mercado mundial de cinema. Como em toda indústria, o retorno econômico importa e muito, mas por se tratar de entretenimento e arte é também preciso pensar em outros aspectos, que afetam direta e indiretamente pessoas das mais diversas origens.


Com o holofote tão brilhante sobre uma premiação, é difícil mensurar o tanto de influência e poder existente por ali. É por isso que polêmicas no Oscar refletem problemas também no mundo.

A premiação mais importante de uma das indústrias de entretenimento mais fortes dita tendências, comportamentos e ideologias. Isso não é pouco e é aqui que incluímos discussões como representatividade de etnias, de gênero, de orientação sexual, 3 das questões mais amplamente discutidas atualmente e que parecem pouco terem sido atualizadas em locais ainda bastante conservadores como o Oscar.

O real problema de tudo isso é que a premiação reflete o status quo de uma indústria, que por sua vez reflete o mercado como um todo, e por fim uma sociedade.

A não aceitação da diversidade talvez em uma das formas de arte e entretenimento mais acessíveis (no sentido de expor um ponto de vista, estória ou ideia) torna também comum a não discussão e consequente evolução de mentalidade e tolerância das pessoas que a consomem. E mesmo os não consumidores são afetados por esse estado inalterado em publicidade, televisão, e por aí vai. Aos poucos a discussão é cada vez mais difundida, mas uma indústria tão forte como a norte-americana poderia sim dar um belo pontapé inicial para uma mudança real se quisesse.

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Essa é apenas a ponta da discussão possível de ser colocada em um post, por isso convido o leitor a reflexão para seguintes questões:

Por que a desigualdade salarial entre gêneros existe?
Por que uma mudança de etnia no protagonista é menos vendável em um filme? (ou visto como pela indústria)
Por que não é dada as mesmas oportunidades a brancos e negros nessa indústria?
Por que não existem mulheres diretoras concorrendo?
Onde estão as estórias não estigmatizadas e os personagens naturalmente retratados dentro da questão LGBT?
Onde estão os portadores de deficiências físicas e mentais (plenamente aptos ao trabalho) ? Quais tantas outras categorias não poderiam ser colocadas por aqui que ainda não são representadas?
Qual a relevância dessa discussão para o Brasil? Isso ocorre por aqui?
Qual o tamanho da influência do cinema norte-americano no Brasil?

 

Tenha um bom Oscar.

Viola Davis após ganhar o Emmy: “Você (os negros) não pode ganhar um Emmy por um papel (oportunidade) que não existe”

 

"Diante da polêmica, a Academia reagiu rapidamente. Cheryl Boone Isaacs, presidente da organização – uma mulher negra, vale notar – declarou-se “frustrada” pela falta de diversidade e prometeu “grandes mudanças” na composição da instituição, sem especificar quais mudanças seriam essas, nem como elas seriam feitas. Hoje, a Academia é composta majoritariamente por homens brancos nos seus 60 anos." Guia da Semana - Artistas anunciam boicote ao Oscar 2016
“Diante da polêmica, a Academia reagiu rapidamente. Cheryl Boone Isaacs, presidente da organização – uma mulher negra, vale notar – declarou-se “frustrada” pela falta de diversidade e prometeu “grandes mudanças” na composição da instituição, sem especificar quais mudanças seriam essas, nem como elas seriam feitas. Hoje, a Academia é composta majoritariamente por homens brancos nos seus 60 anos.” (Guia da Semana: Artistas anunciam boicote ao Oscar 2016)

 

 O ator Chris Rock afirmou que apenas foi convidado para estar à drente da premiação neste domingo porque Ellen DeGeneres recusou. (Monet - Plano B?)
O ator Chris Rock afirmou que apenas foi convidado para estar à frente da premiação neste domingo porque Ellen DeGeneres recusou. (Monet – Plano B?)

 

Rooney Mara comentando sobre o filme Carol no Oscar e a hashtag #OscarsSoStraight (Oscar muito Heterossexual)

 

Patricia Arquette e a igualdade salarial entre homens e mulheres em seu discurso no Oscar 2015

 

"Acredito que todo ano é preciso relembrar: uma Academia saudável, uma indústria saudável, é diversa. Uma indústria monocromática nunca é criativa." "O que preciso também ser lembrado todo ano - por que parece que não muda nunca - é, onde estão os diretoras mulheres? Onde estão as atrizes em filmes com papéis relevantes? Vamos dar o primeiro passo nessa questão. Alguém!" (Vogue: Cate Blanchett on Truth, Carol, and the Oscar Race)
“Acredito que todo ano é preciso relembrar: uma Academia saudável, uma indústria saudável, é diversa. Uma indústria monocromática nunca é criativa.”
“O que preciso também ser lembrado todo ano – por que parece que não muda nunca – é, onde estão os diretoras mulheres? Onde estão as atrizes com papéis relevantes em filmes? “
(Vogue: Cate Blanchett on Truth, Carol, and the Oscar Race)

 

Ao vencer o prêmio de Melhor Ator no Oscar de 1974 por "O Último Tango em Paris", Marlon Brando enviou a atriz Sacheen Littlefeather vestida de índia em protesto como protesto a como a etnia era tratada em Hollywood.
Ao vencer o prêmio de Melhor Ator no Oscar de 1974 por “O Último Tango em Paris”, Marlon Brando enviou a atriz Sacheen Littlefeather vestida de nativa americana em protesto a como a etnia era tratada em Hollywood.


Last Week Tonight aborda direta e francamente a questão do “branqueamento” em Hollywood, com origem em atores caucasianos interpretando “com um pouco de maquiagem” papéis de etnias diversas desde o começo da indústria até os tempos atuais.


Fontes e indicações para leitura:

+Vem aqui rapidão – Oscar 2016: Apostas, injustiças e mais polêmicas

+Paramond Channel – 10 curiosidades polêmicas sobre o Oscar
ite
+Guia da Semana – Artistas anunciam boicote ao Oscar 2016; entenda a polêmica

+O Globo – As polêmicas do Oscar

+Vogue – Cate Blanchett on Truth, Carol, and the Oscar Race

+New Now Next – 6 Queer Films That Should Have Been Nominated For Oscars This Year

Cinema e Tv: Brasil no Oscar – Indicados à Animação

Dia 28 de março, há poucos dias, acontece o Oscar, maior premiação de filmes.
E este ano todos os brasileiros vão ficar ainda mais atentos, pois entre os indicados à animação temos um filme Brasileiro: O Menino e o Mundo.
Vamos listar todos os filmes que estão concorrendo junto com brasileiro nesta categoria e fazer as apostas!

O Menino e o Mundo

Cuca é um menino que vive em um mundo distante, numa pequena aldeia no interior. Certo dia, ele vê seu pai partir em busca de trabalho, embarcando em um trem rumo à desconhecida capital. As semanas que se seguem são de angústia e lembranças confusas. Até que, numa determinada noite, uma lufada de vento arromba a janela do quarto e carrega o menino para um lugar distante e mágico.

Shaun, o Carneiro


Shaun e o resto do rebanho terão de se aventurar na cidade grande para salvar seu fazendeiro.

Divertida Mente

A menina Riley passa por diversas emoções ao se mudar do Meio-Oeste dos EUA para San Francisco. As emoções – Alegria, Medo, Raiva, Nojo e Tristeza – moram no Quartel-General, o centro de controle dentro da mente de Riley, onde eles a ajudam com conselhos diariamente. Enquanto Riley e suas emoções se esforçam para se ajustar à nova vida em San Francisco, a turbulência no Quartel-General aumenta. Embora Alegria, a principal e mais importante emoção de Riley, tente pensar positivo, as emoções entram em conflito sobre como navegar pela nova cidade, a nova casa, a nova escola.

Anomalisa 

Michael Stone, pai de família e guru de livros sobre atendimento ao consumidor, chega à cidade de Cincinnati para palestrar. Algo o incomoda, as vozes que ele ouve têm todas o mesmo som, e Michael encontra refúgio no adultério.

As Memórias de Marnie

Uma jovem garota é enviada para interior para cuidar de sua saúde. Lá ela faz uma nova amiga, Marnie, uma garota loira de cabelos esvoaçantes. A amizade se torna maior e é possível que as duas tenham uma ligação maior do que parece.
Fonte:

Omelete.com.br